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Que política está na moda?

Por Jessica Kobayashi

    A politica está na moda! Muito fácil fazer essa afirmação depois dessa eleição presidencial, em que, de fato, muitos estavam discutindo politica, refletindo, questionando, decidindo em quem votar. Que bom !

    Isso é o óbvio em um ano de eleição presidencial, mas não é um ano eleitoral qualquer, é a primeira eleição que acontece no pós-junho 2013 e manifestação-listonas-9no pós-manifestações. Momento em que jovens demonstraram que existe uma insatisfação crescente com o nosso sistema político, com a maneira que a tomada de decisão pública é feita e com as poucas possibilidades do cidadão comum de influenciar esse processo decisório do poder público. Também é um ano que vimos crescer as novas formas e estratégias de mobilização de jovens, utilizando as tecnologias da informação como ferramenta de mobilização. Os canais tradicionais de participação e controle social não estão dando conta, essa é uma verdade já posta. Apenas acompanhar e monitorar o trabalho e contas do executivo também é pouco, queremos influenciar e decidir, ponto. Flertamos com a democracia direta sem nem saber direito o que isso representa ou como pode acontecer de fato. Queremos que nossa vontade para o lugar que moramos e escolhemos seja feita e realizada. Também não estamos só esperando o poder público, estamos fazendo hortas comunitárias e urbanas em praças e espaços públicos abandonados, estamos ocupando ruas e avenidas com atividades de lazer e cultura, estamos ocupando nossa rua com bicicletas, estamos…na cidade que moramos.

    A política está na moda. Está na moda porque as pessoas estão percebendo que o poder público não está dando conta, e que podemos contribuir ( e muito) para um lugar melhor para se viver. Está na moda, pois estamos começando a achar importante conversar ( e discutir) sobre politica. E está na moda porque em vários lugares do mundo esse mesmo tipo de insatisfação e vontade de participação têm acontecido. Temos no Brasil 25 anos de democracia, uma geração inteira politicamente ativa que nasceu na democracia. E é muito bom ver isso…é maravilhoso perceber a tomada de consciência das pessoas em relação a participação social. Do consumo à participação cidadã. Um caminhar bem gostoso que a população brasileira está começando a trilhar….espero que continue nesse caminho.

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    Voltando à sensação maravilhosa de perceber esse olhar mais cidadão das pessoas, o fato é que ao longo dos anos temos percebido também o crescimento das iniciativas que utilizam a tecnologia para estimular mais pessoas a participarem e exercitarem sua cidadania. Mobilização é uma palavra que está em alta. Engajamento também. Cada iniciativa tem uma novidade ou um olhar muito interessante. A verdade é que todas contribuem para fortalecer essa cultura democrática de participação. Estimulam que mais jovens participem, deixam todo o processo mais gostoso e, por que não dizer, alegre e social. São inspiração total e compõe esse ecossistema da participação social.

democracia    E junto com a certeza que esse é o caminho, começam a surgir algumas reflexões também, sobre esse caminhar. Qual o real impacto que estamos promovendo? De que forma estamos praticando a colaboração em nossas iniciativas? Conseguimos trabalhar de fato em conjunto ou em rede? Que ações sistêmicas estamos tentando construir e quais consensos e visões comuns existem entre nossas iniciativas? Sinceramente, alguns avanços, não sei, talvez alguns. Não sei. Essas seriam as minhas respostas para as perguntas que fiz acima.

    Queremos que a política ( e os políticos, claro!) mude. Mas o quê, de fato ? Alguns movimentos e iniciativas tem clareza do que querem, como a reforma política e um plebiscito constituinte. Mas é consenso ? Não acho. Uma pergunta também muito importante do meu ponto de vista; como estamos fazendo esse nosso trabalho? Estamos utilizando softwares proprietários? E os dados das pessoas, como temos trabalhado essa informação? Esses dados que nossas iniciativas geram podem se conectar com os dados de outras iniciativas, para uma leitura mais ampla desse ecossistema? Enfim, perguntas que deixo no ar, para começarmos a refletir e construir como queremos essas respostas.

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