Número de partidos representados no ministério: de FHC a Temer

A redução do número de ministérios tem sido uma das medidas mais destacadas pelo presidente interino Michel Temer para defender o discurso de mudança na gestão. Do ponto de vista político, no entanto, o número de partidos contemplados com uma vaga na Esplanada mantém a média das administrações petistas.

Os governos Lula e Dilma foram as gestões com maior número de pastas na comparação com seus antecessores, a partir da redemocratização. Também foram as administrações que mais concentraram partidos políticos com status ministerial.

Essa relação entre ministérios e partidos se explica em razão do chamado “presidencialismo de coalizão”, em que um governo (seja ele federal, estadual ou municipal) busca apoio de outras legendas para conseguir formar maioria no Legislativo (e assim tentar aprovar com mais facilidade projetos de seu interesse). Dessa forma, divide os cargos de primeiro escalão para poder governar.

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O excesso de legendas no país também contribui para a construção de governos multipartidários, já que aumenta a quantia de partidos a serem contemplados. Atualmente são 35 siglas, 25 delas com representação na Câmara. Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu pela primeira vez, em 1995, havia 15 partidos. Com Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, eram 24.

Com Temer, ‘jogo’ político se repete#

O ápice do número de ministérios e de partidos ocorreu no segundo mandato de Dilma (2015), cenário em parte explicado pela necessidade da petista de ampliar sua base aliada, que já dava sinais de esgotamento.

Antes de ser afastada pelo Senado, em 12 de maio, Dilma reduziu para 32 o número de pastas, numa tentativa de criar uma agenda positiva e de recuperar popularidade.

Motivado por igual estratégia, Temer anunciou a redução para 23 ministérios, mas não conseguiu fugir da divisão em troca de apoio político. O presidente interino chegou a anunciar que faria uma ministério de “notáveis”. Diante da resistência das legendas em compor sua base sem cargos no alto escalão, Temer quase desistiu de cortar pastas. Por fim, como ele mesmo explicou, cedeu à “natureza política”.

“Eu fiz dois jogos. Um primeiro falando com a sociedade quando nós eliminamos os vários ministérios, nós falamos com a sociedade. Mas depois, eu tive que fazer uma composição de natureza política, ela é inevitável. Porque na democracia é assim, você só não homenageia o Legislativo e não homenageia o Judiciário nos sistemas autoritários, nas ditaduras. Mas no sistema democrático, você há de conviver com o Legislativo e o Judiciário”

Michel Temer, presidente interino, em entrevista ao “Fantástico”, no domingo (15)

 

Fonte: Nexo

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